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3 lições que aprendi na GT Open este ano

há 32 minutos
3 min de leitura

Aqui em Barcelona, neste final de semana, encerro a minha segunda temporada acompanhando a GT Open, um dos maiores campeonatos de carros de Gran Turismo da Europa.Foram 8 etapas no total e alguns aprendizados que marcaram minha vida para sempre.

São coisas que ninguém te ensina isso na faculdade de jornalismo, nem de marketing, nem engenharia. Isso são lições da prática do trabalho e fa vida. E aqui, durante a minha segunda temporada na GT Open, quem me ensinou foram um mecânico, um CEO em cima de uma carreta e um ditado antigo sobre carroças. Vamos por partes.


1. There’s no problems, only solutions

A frase é de uma música do John Lennon, mas eu ouvi pela primeira vez da boca de um jovem mecânico da AF Corse. E virou conceito de vida.

O raciocínio é simples: se todo problema tem uma solução, então o problema, na prática, não existe. O que existe é a solução. E é nela que a gente precisa colocar o foco.

Na etapa de Monza, isso foi posto à prova. O cabo de conexão da Starlink, responsável por transmitir o sinal da câmera onboard da Ferrari e da transmissão da corrida, se rompeu.

Foi um perereco.

Eu e o Marcelo Hahn vimos juntos o cabo rompido, e ele ficou desesperado. A primeira ideia foi tentar soldar. Só que era visivelmente impossível: a fibra era fina demais.

Comecei a pensar em como conseguir outro cabo. E lembrei que, um dia, tinha entrado no caminhão da transmissão oficial da GT Open e conhecido a pessoa responsável pelo almoxarifado.

Virei para o Marcelo e falei: “Não vai dar para soldar. Precisamos de outro cabo, e tem um lugar neste autódromo onde eu tenho quase certeza que vou encontrar.”

Deu certo. Sinal restabelecido. Solução encontrada em minutos.

Foram inúmeras outras situações ao longo da temporada em que mirei o foco na solução, e não no problema. Sem ficar remoendo, reclamando, empurrando para outra pessoa resolver ou procurando culpados.

No Brasil, coisas simples assim são mais fáceis de resolver. Em outro continente, onde você não conhece todo mundo, é diferente. Ainda mais numa equipe enxuta: somos só eu, Alisson, Cibele, Pedrão, Galid e Marcelo.

Então, se o problema caiu no meu colo, eu vou resolver.

2. O que falta no mundo é gente para instalar a Starlink

O episódio da Starlink rendeu uma segunda grande lição.

Depois de conseguir o cabo novo, era preciso trocar o quebrado. E a antena estava instalada em cima da carreta da AF Corse.

Eis que o Marcelo Hahn aparece com uma escada, vira para mim e fala: “Bora lá.”

Fomos os dois fazer a troca. Sim. Eu e o CEO da Blau.

No mundo corporativo, o que não falta é “chefe” de cargo bem menor que jamais teria essa atitude, por considerar aquele trabalho braçal coisa de subalterno, como os mecânicos.

Um dia, o Marcelo me disse que o tal “espírito de dono”, que todo mundo fala, é exatamente isso: saber resolver problemas.

E é isso mesmo. Se dentro de uma empresa todo mundo passar adiante o problema que encontra, ele vai acabar chegando no dono. A pessoa que pega o problema e resolve age como o dono agiria.

3. Carroça vazia é a que mais faz barulho

Essa última eu não tenho um exemplo prático para contar. Mas nem precisa.

O conceito é simples: quem fala demais, quem precisa impor e divulgar o tempo todo a própria importância ou os próprios feitos, está com a carroça vazia.

A verdadeira sabedoria está no silêncio. Porque os feitos, quando existem, falam por si só.


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