POR QUE A FERRARI DOMINA A EUROPA?

Circulando pelos boxes da GT Open nesta temporada, um detalhe me chamou muito a atenção: a Ferrari domina. Não é impressão. Na lista de inscritos de temporada completa, são nove Ferrari 296 GT3 contra quatro Mercedes-AMG, três Porsche, dois ou três McLaren e no máximo dois carros de cada uma das outras marcas como BWM, Aston Martin, Lamborghini... Mais que o dobro de qualquer concorrente.
Esse não é um fenômeno exclusivo da GT Open. O mesmo acontece em outro dos maiores campeonatos de carros de Gran Turismo do mundo, oEuropean Le Mans Series. Lá a Ferrari é a marca mais representada em 2026, com seis carros contra três Porsche e duas Mercedes.
Mas o que faz a Ferrari dominar o cenário atual desses dois campeonatos?
Uma das razões para isso é a força da AF Corse, equipe que é responsável inclusive pela preparação da nossa Ferrari Azul desde 2024. O time italiano comandando por Amato Ferrari é o único que participa dos dois campeonatos desde a fundação. Na GT Open, onde não há limite de carros inscritos por cada equipe, quase metade dos modelos 296 GT do grid sai de uma única estrutura que trata a GT Open como campeonato de casa.
O sucesso do modelo de competição mais recente criado em Maranello começou logo no ano de estreia, em 2022, e tem se extendido desde então. Números levantados pela imprensa inglesa apontam para mais de 150 vitórias do modelo 296 GT em campeonatos que contam com gentleman drivers ao redor do mundo. O Kit EVO introduzido esse ano, que promoveu principalmente alterações aerodinâmicas, tornou o carro ainda mais competitivo em relação aos modelos mais novos de outras montadoras.
Outro fator que explica o sucesso da Ferrari entre os pilotos que não são profissionais e compram o carro para competir está no desenvolvimento. A Ferrari trabalhou para fazer do 296 GT um carro “amigável”. Pedaleira e volante são ajustáveis para diferentes estaturas. Além disso, toda estrutura do carro é modulada. Isso facilita a manutenção em caso de acidentes e facilita os ajustes na busca pelo acerto ideal para cada pista do calendário.
Posso dizer que vi isso de perto em Paul Ricard, quando uma batida no sábado danificou nosso carro e, poucas horas depois, ele estava como novo novamente. Ao contrário do que acontece na Stock Car, por exemplo, onde a montagem muitas vezes é artesanal, na Ferrari tudo é ‘plug em play’.
Não fui o único a ficar impressionado com a rapidez e a facilidade da reconstrução promovida pela AF Corse. Marcelo Hahn e o nosso engenheiro Pedro do Carmo, que já competiram com uma série de outras marcas, também reconheceram que o trabalho feito pela montadora para este carro era diferenciado. De quebra, ainda vencemos a corrida do dia seguinte.
Tá explicado o sucesso mundial da 296 GT?
Para mim, sim.



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