HUNGRIA DÁ AULA DE INVESTIMENTO PARA O BRASIL
- 3 de jul.
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A última vez que estive no Hungaroring foi em 2024. Lembro que, de todas as pistas que conheci naquela minha primeira temporada acompanhando a GT Open, esta era a menos estruturada. Até brinquei com o Alisson, nosso videomaker, e com a Débora, nossa social media na época: "Essa aqui é a 'Cascavel deles'!" (com todo respeito à Cascavel, hein!).
Para uma pista padrão F1, o Hungaroring ficava devendo muito para outros autódromos, como Portimão, em Portugal, e o Red Bull Ring, na Áustria… E até mesmo para alguns circuitos mais antigos, como Spa-Francorchamps, na Bélgica, e Monza, na Itália — isso para citar duas pistas centenárias. Para efeito de comparação: o Hungaroring foi construído nos anos 80.
Desta vez, assim que pisei no Hungaroring, fiquei impressionado. TUDO foi reformado e reconstruído: das arquibancadas ao prédio onde ficam os boxes, o Media Center e o Paddock Club. A pista? A qualidade do asfalto é algo que nunca vi em toda a minha vida.
Com certeza não foi fácil reformar o Hungaroring. As obras começaram na virada de 2023 para 2024 e só foram concluídas agora, quase dois anos e meio depois. As arquibancadas e o prédio principal foram demolidos e, para reconstruir a área, foram usados 41 mil m³ de concreto e 426 quilômetros de cabos de alta tensão! Se você não manja de obras, tudo bem. Eu posso te garantir que é muita coisa!
Fiquei tão impressionado que fui fazer uma pesquisa na internet. Reformar o Hungaroring custou 260 milhões de euros aos cofres públicos. Sim, quem pagou a modernização do autódromo foi o governo da Hungria. E, para justificar o investimento, o ministro Gergely Gulyás afirmou que o desconto de royalties negociado na extensão do contrato do GP da Hungria cobriria a renovação completa.
O presidente da empresa estatal que administra o circuito, Zsolt Gyulay, detalhou em evento de imprensa que as negociações com a F1 ao longo dos anos garantiram uma economia de cerca de 250 milhões de euros, cuja maior parte seria "incorporada" à reforma. Ou seja, a narrativa oficial é que a obra se paga com os descontos obtidos. Isso sem mencionar toda a movimentação financeira que a F1 proporciona em um fim de semana de corrida. O principal evento do Hungaroring atrai cerca de 300 mil pessoas e, segundo fontes oficiais, cerca de 80% desse público vem de outros países. Ainda segundo o governo húngaro, cada forint investido no autódromo retornou mais de 1,5 vez à economia do país.
Tudo isso me colocou para pensar sobre os autódromos brasileiros. A recente reforma do autódromo de Goiânia custou R$ 250 milhões — aproximadamente seis vezes menos que a reforma feita no Hungaroring, é verdade. Mas por lá a reforma foi mais simples e o asfalto apresentou problemas já na estreia: um buraco na reta principal e uma degradação tão severa que encurtou a corrida da MotoGP. Resultado: o circuito está fechado para a reconstrução total do asfalto — dentro da garantia contratual, segundo o governo goiano — e as categorias que pretendiam correr por lá neste ano provavelmente terão que encontrar outras praças.
Brasília é outro caso à parte. Fechado desde 2014, o Autódromo Nelson Piquet foi reaberto no ano passado e ainda está longe, muito longe, de estar pronto. O BRB assumiu a gestão em 2022, mas as obras de verdade só começaram no fim de 2024 — e boxes definitivos, kartódromo e centro médico ainda estão por vir.
Interlagos também convive com reformulações constantes. E, nos três casos, o investimento recente do Governo Federal é de ZERO REAIS. Foram as administrações municipais, estaduais e distritais que fizeram os investimentos ou foram buscar parcerias para bancar as obras.
Aí eu fico me perguntando… Se a Hungria — uma economia mais de dez vezes menor que a brasileira — entende que o automobilismo é uma fonte de receita e entretenimento que justifica o investimento público, por que o Brasil não enxerga esse esporte da mesma forma? O resultado disso é o que vemos hoje no automobilismo brasileiro: faltam autódromos e os poucos que temos carecem muito de infraestrutura.

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