ESPANHA FORMA CAMPEÕES NA PISTA E NO CAMPO

A Espanha joga a final da Copa do Mundo amanhã, e o que tenho lido a respeito do time que busca o bicampeonato é que o segredo do sucesso está no fato de esses jogadores atuarem juntos pela seleção desde as categorias de base.
Da final olímpica de 2021, quando os espanhóis perderam para o Brasil por 2 a 1, oito jogadores estarão em campo amanhã contra a Argentina. Três anos depois daquela decisão, em 2024, a Fúria venceu os Jogos de Paris. Daquele time, cinco disputam a final nos Estados Unidos. Seriam seis se Fermín López, autor de dois gols na decisão contra a França, não estivesse machucado.
Não é de hoje que a Espanha revela grandes nomes do futebol mundial. Só para ficar nos que eu vi jogar, podemos falar de Raul, Morientes, Mendieta, Xavi Hernandez, Iniesta, Fabregas, Xabi Alonso, Rodri...
Agora, o que pouca gente sabe é que a Espanha é uma proeminente reveladora de talentos não só para o futebol, mas também para o automobilismo mundial.
Com o Celo Hahn acelerando pela equipe espanhola Drivex, conversei com alguns engenheiros de lá, e eles me contaram que os principais cursos de engenharia e mecânica voltados ao esporte a motor estão na Espanha.
E aqui na Europa a gente vê isso na prática: vários dos mecânicos que trabalham na italiana AF Corse são espanhóis. O mesmo acontece em times ingleses e alemães que disputam a FRECA, o GT Open e até mesmo a F1.
Em 2024 tive a oportunidade de visitar uma dessas escolas, o MSi Race Tech Institute, na região metropolitana de Madri. O instituto pertence a Teo Martín, dono de uma das mais renomadas equipes de automobilismo da Europa.
Depois de visitar a escola idealizada por Teo, fui conhecer a sede da equipe dele. Quatro andares, carros de todos os tipos sendo preparados. Eles trabalhavam inclusive na construção das máquinas de uma categoria que seria lançada pela Toyota e no desenvolvimento de um novo tipo de combustível mais eficiente.
Impressionado, perguntei ao Teo: "Quantos funcionários você tem no seu time?"
"Funcionários são 60", o velho espanhol respondeu.
Eu não acreditei, e ele continuou: "Trabalhando na Teo Martín efetivamente são 60 pessoas. Todas as outras que você está vendo aí são estudantes do MSi Race Tech fazendo estágio".
Perto dali, em Barcelona, existe outra escola de mecânicos e engenheiros que é referência mundial: a Monlau Motul Technical School.
Fundada em 1997 com foco na formação de profissionais para o mundo do motociclismo, ela conta desde 2003 com diversos cursos para quem sonha em trabalhar com automobilismo também. Ao longo dos anos, já formou mais de 3.000 técnicos e, segundo dados da própria instituição, 60% deles estão em atividade profissional atualmente.
O curso de mecânica dura de dois a três anos, aceita alunos de 16 a 25 anos com ensino fundamental completo, e o diploma é reconhecido pela Real Federación Española de Automovilismo. A escola também mantém equipes próprias na F4 Espanhola, no TCR Europe e no kart, onde os alunos praticam diretamente, e no motociclismo tem o selo Road to MotoGP, da Dorna.
O Brasil sempre foi conhecido no mundo do futebol por revelar craques. Um pouco de investimento em educação — e não estou falando de investimento público, mas privado mesmo, como no caso da Espanha — poderia nos transformar também em uma nação exportadora de mecânicos e engenheiros para equipes de todo o planeta.



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